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Cultura e bolsa miséria (Texto inédito)


Cultura e bolsa miséria

Cultura para todos, significaria menos sofrimento, melhor escolhas, em todos os níveis.
Os papagaios repetem que o bolso miséria não é solução.
Alguns do próprio povo estão dizendo isso, repetindo o falho discurso de uma elite hipócrita e também sem cultura.
O falso conceito do “dar a vara e ensinar a pescar e não o peixe”.
Fácil dizer isso, mas na prática, os ricos usaram tudo que podiam para adquirir e manter seus bens, e dentro desse processo, pregam exatamente o contrário, para que outros não cheguem jamais na sua condição.
Um exemplo dos Estados Unidos, perante os países de terceiro mundo, que exigem exatamente medidas para que eles continuem pobres, se os EUA protegeram seu mercado com medidas feitas somente para isso, eles exigem que nós não tenhamos barreiras econômicas.
Tudo que fizeram para ficarem ricos, hoje é proibido para outros países.
Vamos copiar deles então a mudança social e talvez cultural, já que tudo que é do outro é melhor.
Quando o mestre da literatura de terror Stephen King, um dos autores mais vendidos no mundo, ainda era pobre. Conheceu o projeto de um carro móvel que trazia livros. Foi com esses livros que ele se educou. Quantos escritores matamos sem ter carros desses pelas áreas urbanas?
O Direito a envelhecer com dignidade. Direito a ter remédios para sua doença. Ou melhor o direito de ter o conhecimento para não ter tantas doenças, pois saberia o mal que o açúcar faz, o mal que o sal faz. Mas para isso a informação teria que ser compartilhada.
A vara para pescar é a informação, eles nunca quiseram dividir, então a emergência é o peixe.
Todos são culpados, pois até doutorando não conversa com o próximo, se o universitário passasse essa informação, se o recém diplomado fosse generoso e conversasse sobre os cursos gratuitos, sobre o direito as bolsas, muitos teriam mais chances.
Caixão não vem acoplado com HD pra levar informação além túmulo.
O que aconteceu nesses últimos dias nas eleições, reforça a falta de cultura tanto da elite, da classe média como do povo, que acaba repetindo o discurso do dominante. 
Sinceramente eu entendo o voto ao Aécio, de um dono de empresa que perdeu grande parte dos seus funcionários, pois não dava condições de trabalho, e hoje o funcionário pega sua vara e vai procurar outro peixe.
Agora o que não entendo, é um cara que vive todas as dificuldades do dia-a-dia se negar a dar o crédito pelo acesso que hoje temos.
O cara tem um carro que comprou pelo desconto do IPI e pela facilidade do crédito, seu filho está estudando pelo Fies (Financiamento Estudantil), e diz que não votaria no governo novamente porque num gosta da Dilma.
Generosidade é uma palavra esquecida, tanto lá como aqui na periferia, onde todo dia um novo sonho não se concretiza.
A cultura é a salvação, ou que fazer com tantos que chegam, o que dizer para todos que vão, o que ler para quem nunca gostou da palavra, que tem ódio da sala de aula, que nunca soube como a cultura pode mudar agente para melhor?
A cultura é tão importante, que até a educação vem depois, ela é procurada em forma de curso, de estudo, de tratar o outro melhor.
Voltando a copiar os EUA, vamos copiar então os grandes programas, como o programa federal de estimulo ao trabalho, que tinha como intuito tirar as pessoas desempregadas das ruas, Stan Lee conseguiu se encaixar na turma de um teatro federal, depois desse peixe, ele viria a criar os maiores super heróis americanos, Hulk, Homem-aranha, quarteto-fantástico.
Mas ele tinha o peixe na barriga, com o peixe ele pode um dia pegar na vara e pescar, pescou a Marvel Comics uma das maiores empresas de entretenimento do mundo.
Com cultura e informação entenderíamos melhor a história de grupos como a Globo e a Veja.
NO caso o acordo fechado com o Time-Life para montar a Rede Globo, que seria inaugurada em abril de 1965. É só pesquisar que você vai entender o processo de criação dessas grandes máquinas de dominação, e não estou entrando aqui no mérito de ir no canal, de passar num programa. 
Estou entrando na questão de ter um canal, de fazer seu programa, de começar a inverter a ordem. Coisa que eles são obrigados agora a deixar fazer, pois a internet vem como grande vilão devorador de audiência, tanto que qualquer menino na rua lhe mostra um video hoje via facebook ou youtube enquanto os programas de TV estão cada vez mais desassistidos.
Com o acesso a cultura, que pode ser a grande ‘vara’ de pescar de todos, teremos senso crítico para discernir o que é bom ou ruim, e dali veremos casos como o depoimento a “Gazeta Mercantil”.
Civita deu uma outra pista que sua fonte de recursos emergenciais estava em Nova Yorke. Nesse momento em que “Veja” naufragava, ele recorreu a empréstimos americanos que totalizaram quatro milhões e meio de dólares. Os recursos teriam vindo de gerentes de bancos americanos que Civita conhecia e que confiaram em lhe mandar dinheiro diretamente dos Estados Unidos em vários momentos críticos da Abril.
Com cultura, ficaremos tentados a desobedecer a ordem civil, reviramos leis, debatemos com autoridades, questionaremos, o porque pagar a Zona Azul para deixar seu carro na rua, e o flanelinha tem que ser preso, porque da propaganda no trânsito “de preferencia ao transporte público” se andar de ônibus em São Paulo é humilhante.
Com Cultura, veremos casos, teremos conhecimento que com a ajuda de câmeras ocultas, o repórter mostrou que crianças na Indonésia e na China estavam trabalhando praticamente em regime de escravidão, “para que as crianças americanas possam colocar roupas cheias de babadinhos na boneca favorita da América”.
Com cultura, teremos certeza, que a classe dominante é a verdadeiroa culpada, que criou as leis e tem que conviver sem seguilas.
Somos educados e os educadores “ são apenas seus mandatários. É ainda a classe dominante que designa `a educação o seu fim autêntico, de cujo ‘fins’ aquilo que os educadores estabelecem não passa de formulações enganosas.
É por isso, que temos uma grande massa de prestadores de serviços quase gratuitos, que ainda se fala muito mal dos 70 reais do bolsa família, enquanto financiamentos a 20 anos são dados todos os dias para os ricos continuarem seus impérios, sua máquina de opressão, seu jeito bonito de nos vender a ração.
Tudo que eles fizeram para serem ricos, hoje é proibido e vetado.
Quando batemos no peito que somos revolucionários, isso porque compreendendo-se revolução no sentido do processo de transformação conjunta da sociedade capitalista através da luta das classes populares no intuito de suprimir a todos os níveis as relações de dominação e fazer do povo o sujeito de sua história.
Somos o sujeito da história, e estamos nesse momento em formação para transformar o país de fato numa nação autêntica, culturalmente real.
Quer um exemplo?
O setor literário se beneficiou de uma brilhante inovação, em 1941, bem no meio da segunda guerra mundial, a revista folket i bild lançou a série Fib Folkbcker (livros populares). A maioria deles eram romances narrados de modo realista por escritores conhecidos, muitas vezes ligados ao movimento trabalhista, vendidos a preço baixo por um exército de milhares de vendedores nos locais de trabalho e no sistema porta a porta em áreas residenciais. Contra todas as previsões, os livros FiB fizeram um sucesso absoluto. Forum impressos 3 milhões de exemplares dos primeiros 44 títulos, sua popularidade era tão evidente que a principal editora de Bonniers imitou o projeto rigorosamente, até quanto ao número de vendedores, fundando a Bonniers folkbiblioteck (Biblioteca Popular Bonniers), que, como imenso catálogo da editora, se tornou uma forte concorrente dos livros da FiB.
Voltando ao Brasil, porque somos reféns de escolhas editoriais, eles escolhem, eles dizem ou que é bom ou não, e deixam a margem milhares de escritores e consequentemente leitores, que não inchergam na literatura brasileira nada de bom nem cativante, pois ela é escolhida por uma minoria que não vive nem sabe realmente o que o povo tem vontade de consumir em termos de leitura.
Prêmios pré determinados, ou você se encaixa na fórmula ou não é sequer carimbado como “literatura”, quando na verdade o afastamento das massas e de assuntos viscerais e emergenciais para o povo são a primeira regra.
Eles que vivem na Miami Paulista, grande reduto da tucanada, tem que engolir esse ódio de quem entra no avião pela primeira vez, do celular da empregada ser igual da patroa, do filho do motorista não dar continuidade na profissão do pai, pois está fazendo faculdade e pra pagar daqui a 5 anos.
Engolir esse ódio de sentir o cheiro do mesmo perfume vindo do elevador de serviço, ódio das feiras literárias estarem virando rolezinho do conhecimento.
Engolir gente que não é do mesmo ciclo de amizades, que não estudou no Dante, que não tinha cartão “Diamonds”, “Plus” nem conta no “Personnalité”, engolir que não é mais “exclusivo” seu “clube”, não é mais “limitado” seus ingressos.
Engolir o ódio de ter que sair da zona de conforte, de não ter reproduzido seus privilégios desde o colégio, de ter que ralar agora pois a concorrência vem do gueto, com outro olhar, com outra vivência, e com a maior escola que se pode ter. O sofrimento.
Outro jeito é mudar, como algumas madames gritam na internet, estão indo pra gringa, podem sair. Abandonem o barco, ele não está a deriva, a deriva são suas metas, gente ingrata, que nunca comprou tanto, nunca teve tanto e está agora se passando por vítima, crescer para todos num pode né? Vão embora, por favor! Mas saibam que quando eles perceberem seu sotaque, ai é outro tratamento.
A verdadeira bolsa miséria é da Louis Vuitton, que tem tudo dentro, menos bondade e satisfação de ver o outro se dar bem também.
Ferréz

É isso mesmo.

Sou filho de baiano, passei 38 anos sobre cárcere na periferia, lutando por melhoria. Sonhei e hoje vejo o filha da empregada do meu vizinho conseguir ir pra faculdade, pra poder ver o salto que nosso povo com muita luta está dando, falta muito é verdade. Mas temos hoje um governo que sabe o que é pobreza, luta por melhoria e principalmente corre pelo social. Não vou jogar fora minha luta, muito menos o orgulho dos que sempre tiveram lado a lado pelo certo. Não é hora de se omitir. Porque uma parte da elite está fazendo campanha a cada segundo pra tentar mudar esse país, e ele voltar ao lixo que era. VotoDilma Rousseff e pode ter certeza que tem um montão comigo.

Amanhecer Esmeralda nas livrarias

O primeiro livro infantil que escrevi volta as livrarias, numa nova edição. Adotado em centenas de escolas, o livro trata de vários assuntos que geralmente não são abordados corretamente para crianças.
Mudar o mundo está a um passo, uma pequena ação que gera uma reação em cadeia. Um novo olhar pode transformar uma realidade de dor em esperança, esverdeada como a esmeralda que emprestou sua cor ao vestido de Manhã.

Vendo Verdades

Salve, ontem foi mais um dia de estúdio, para gravar meu primeiro Audiobook, com vários textos inéditos e trechos dos livros, Capão Pecado, Deus foi Almoçar e Ninguém é inocente em São Paulo, tenho a honra de ter várias participações de peso, entre elas, o Gog, grande amigo e poeta de Brasília, e ainda Facção Central, o grupo mais contundente do rap nacional, chegaram a ler também os textos, o Allan da Rosa, Zeca Baleiro, e agora está gravando meu parceiro Ylsão do Negredo, estou muito feliz com o resultado do estúdio, e com certeza esse trabalho também vai ganhar as escolas e o público até não leitor, por se tratar de um livro sonoro. Vamos que vamos que muito ainda tem que se fazer para a cultura ganhar espaço no nosso país, em breve em todas as livrarias, Vendo Verdades.

Gravando meu primeiro Audiobook

Meu Parça Dum-Dum (Facção Central) gravando sua participação no meu primeiro Audiobook, vai segurando Facção Central lendo Capão Pecado.

Encontro L.M na Fábrica de Cultura do Jd. São Luiz

Salve, mais um Encontro da Literatura Marginal, dia 12 de julho na Fábrica de Cultura do Jd. São Luiz, com Lourenço Mutarelli e Elizandra Souza. a partir das 16.30, não perca. Mais informações no face da Literatura Marginal.