Blog do escritor Ferréz


Agenda Ferréz 2015

Agenda 2015
7/8 – Fundação Casa

8/8 - Encontro Literatura Marginal / Fábrica do Capão 16 horas.
10/8 - Rede TV - Entrevista e leitura.
14/8 - Sessão autógrafo Desterro na Nobel Shopping Mais largo 13 / 19 horas - Com Alexandre De Maio.
21/8 - Encontro Literatura Marginal / Raul Seixas/Praça da Sé.
12/9 - Encontro Literatura Marginal na Fábrica São Luiz / 16 horas.
14/9 - Primeira feira literária de Cidade Tiradentes (CFCCT) as 10 horas.
15/9 - Araçatuba / literária 2015 - Palestra e leitura: PalavrArmas.
16/9 - Três fronteiras - Palestra e leitura: Os ricos Também morrem.
16/9 - Rubinéia / viagem literária
17/9 - Birigui - Sessão de autógrafos após evento.
18/9 - Buritama - Palestra e leitura PalavrArmas.
25/9 - Lançamento PalavrArmas / Nobel Shopping Mais largo 13 / 19 horas.
27/9 - Apresentação PalavrArmas no Show Detentos Do Rap
10/10 - Encontro Literatura Marginal na Fábrica do Capão 16 hrs.
14/11 - Encontro Literatura Marginal na Fábrica da Brasilândia 16 hrs.
12/12 - Encontro Literatura Marginal na Fábrica do Capão 16 hrs.

Nesse Sábado no Sesc

Nesse Sábado tem Literatura Marginal no Sesc com Ferréz e Rodrigo Ciríaco. Pode pá que é tudo nosso.

http://www.sescsp.org.br/programacao/66309_A+LITERATURA+MARGINAL+PUBLICASE+UM+POR+TODOS+E+TODOS+POR+UM

Literatura Marginal nesse sábado no SESC

http://www.sescsp.org.br/programacao/66309_A+LITERATURA+MARGINAL+PUBLICASE+UM+POR+TODOS+E+TODOS+POR+UM

Encontro Literatura Marginal na Vila Nova Cachoeirinha

Vou estar na Vila Nova Cachoeirinha com a turma da Literatura Marginal - Marcos Teles, Wesley Barbosa, Elisabeth, Davi Aplick e muitos convidados.

A arte do país periferia - Ferréz



A arte do país periferia.
A periferia de um modo geral é conhecida pela noticiário criminal, Apesar do esforço do Datena, ainda conseguimos mostrar além de tudo a sobrevivência e muita arte.
Quem mora aqui sabe que tem algo mais do que os ônibus lotados, os barracos não rebocados, o aposentado recolhendo papelão, os motoboys voltando para casa, jovens com pipas nas mãos, donas de casa trazendo sacolas do mercado. 
A banca de jornal vende revista Caras, enchemos os olhos com uma mídia que não nos representa, mas no campo de futebol o menino sem camisa joga num time de várzea, chegando em casa todo suado, abrindo a geladeira e não vendo nada pra comer, então ele vai pra outro cômodo daquele barraco, pega suas latas de spray, ele não tem espaço para expor seus trabalhos, ele não terá catálogo nem sua obra renderia um centavo, talvez um tapa no rosto e as tintas usadas no próprio corpo, com um policial ameaçando de novo, mas o desenho no muro é finalizado, ele volta pro mesmo barraco, só que animado para um novo recomeço.
Em outra favela, o poeta trabalha até tarde para depois ir para o bar arrumar as cadeiras, preparar o som para logo a noite começar o sarau.
Toda semana tem no mínimo dois saraus, todo mês tem lançamento de livros aqui. Tudo bem que alguns livros são artesanais, acabamento precário, e muitas vezes não têm tiragem superior a 100 exemplares, mas eles se contrapõem ao livro que o projeto cultural do banco faz com o nosso imposto, livros de capa dura, páginas espessas, cores em alta definição, livros pesados e desajeitados, que trazem, em edições caras, páginas especializadas em vinhos. Tirar verba do transporte, da saúde, da educação, pra dar um livro tão grande a algum cliente para que se masturbe mentalmente deve valer alguma vaga num possível inferno, pode ser até o de Dante.
A nossa vida não tem de ser uma filial do Afeganistão, se tiver de ter uma guerra vamos declarar essa batalha contra a falta de informação, contra o preconceito e a ignorância, que mata nosso povo todo dia, seja não lavando as mãos antes de comer, ou contribuindo para uma previdência social falida.
Pra tudo isso ter sentido, precisamos do senso critico e isso pode ser obtido pela  arte, mas vital e honesta, arte de rua sem estereótipos e mesmo sem diplomas.
A arte não está só na reciclagem, hoje muitos já fazem permacultura, sem mesmo  saber o que significa a palavra.
Aqui é onde resíduos são aproveitados, o sapateiro faz arte em sua pequena loja cheia de solas velhas, o marceneiro criando sofá de madeira jogada em frente a sua casa, entre vielas e escadões, gritam os grafites, cenas do dia-a-dia que retratam o próprio artista e as pessoas que o cercam, sua própria visão da realidade e sempre estão em guerra contra o cinza da prefeitura.
O artista vive uma coletividade carente de recursos, mas tem o principal, a habilidade, e ela é exercida todos os dias, pois eles vivem em contato com pessoas da sua mesma origem, muitas vezes a dor que ele usa é de uma observação ou até mesmo de uma vivência própria.
Alguns dizem estar a um passo a frente, e por comodismo não se arriscam mais a fazer algo original e seus quadros, textos, obras, parecem ter saído de um molde, e a universidade não o é?
Falta de imaginação, onde na tela não cabia idéias, agora é vazia, apenas a vivência prática permite a autenticidade, ou esse texto mesmo seria sem nenhuma palavra.

Acompanhe a palestra mais perto da sua casa


Indicação leitura - Eu, S.A.

A algumas semanas criei um face sobre dicas de leitura, é o Ferréz leitor. Então vou postar aqui também, pois tem muita gente que só acompanha o blog.
Numa edição primorosa, Gene Simmons nos apresenta esse mix de biografia e livro de negócios. Eu como fã do baixista li o livro em um dia, recomendo para quem acompanha a carreira do KISS Brasil ou mesmo quem quer dicas de negócios. Bom no mínimo essa leitura que custa por volta de 30,00 vai te trazer uma super lição de vida, que foi a infância de Gene, vindo de um país em guerra, perseguido por ser Judeu, se tornou o rosto mais famoso do Rock. Depois que passei pela biografia de Peter Criss, o próximo membro é Paul Stanley, e ainda espero a biografia do último membro, o problemático mas único Ace Frehley Ferréz

Ferréz no podcast Lado B


Na sétima edição do podcast Lado B, os integrantes do programa conversam com um dos precursores da literatura marginal: Ferréz.
Ferréz sabe bem ler e retratar a vida ativa e os movimentos da periferia. Mas o LADO B foi além e traz para você a paixão do escritor por Histórias em Quadrinhos. Conheça as referências em arte sequencial do escritor, que variam de Sandman, Watchman a Armandinho e Turma da Mônica. Ele também fala sobre as adaptações dos quadrinhos para o cinema e muito mais.
Participam da entrevista: Fernanda Ribeiro, Tatiana Vasconcellos, Lucas Rodrigues, Matheus Cardoso e Léo Pereira
http://periferiaemmovimento.com.br/2015/05/lado-b/

O ofício e a oração (Ferréz)


O ofício e a oração.

Noite.
O filme está bom, mas paro na metade e vou ver um doc, amanhã é dia de compromisso e a mente tem que ficar a milhão.
Lá fora os muleque joga bola, uma barulheira do cão, uns palavrão entra pela sala, a vizinha já proibiu eles de jogarem na porta dela, eu de vez em quando só digo para dar uma maneirada na boca suja.
O doc é duro, ideológico, marca presença, foi presente de um mano que me trombou no metrô, disse que gostava dos meus textos e que tinha um trabalho paralelo na escola onde dava aula, um trabalho de conscientizar a molecada.
Subo e pego um livro, Capitalismo de laços, os donos do brasil e suas conexões. Como dizia o Ghóez temos que estudar os inimigos.
Logo o sono chega e amanhã o dia vai ser mais curto.
Dia.
Lavo o rosto e tomo um gole de café preto, vou pro quartinho separar os livros, alguns Cronistas, alguns Desterro, um exemplar só do Manual e vários Capão Pecado, o que até hoje mais vende nas palestras.
Olho a pasta com os textos, alguns contos, algumas crônicas, sempre deixo para escolher na hora o que vou ler, o clima que me diz o que fazer.
O telefone toca, o motorista quer saber que horas pode vir, agora que não tenho mais celular tá todo mundo inseguro, pensando que eu não chego, mas sempre chego.
Marcamos o horário, nessa palestra vai ter transporte, as vezes num tem, ai o metrô me leva ou arrumo um parceiro para me levar, já pedi favor para tantos que nem sei, num gosto de dirigir para longe, ainda mais quando volto guiando depois de tanta idéia, a cabeça fica voando.
A bolsa tá arrumada, a Elaine pegou a máquina fotográfica, nessa ela vai comigo, me ajuda a montar a mesa com os livros, a tirar as fotos, e me faz companhia no caminho as vezes longo.
Nessa vamos varar São Paulo, de um extremo a outro, sentido Zona Leste.
O motorista é silencioso, dirige com atenção, já peguei uns loucos que cês nem imagina, esse é tranqüilo, em uma hora e meia chegamos, a vã balançava um pouco.
Ainda não posso pegar peso por causa da recente cirurgia, mas a mochila vai um pouco cheia, esperança de boas vendas.
Entro na escola, a responsável pelo evento vem me abraçar, conversamos um pouco, os alunos estão animados, nunca conheceram um escritor de verdade, segundo ela essa fita eu vou mudar hoje.
Já fiz palestra em todo lugar, Fundação Casa, FAAP, na gringa, cadeia, liberdade provisória, escola do interior, cursinho universitário, e nelas já vi de tudo, palestra de autor que só quer se promover, provar que tem seu lugar de destaque no mundo, outros que só falam da obra que ainda vão fazer, tipo uma pré venda tá ligado? Outros vão falando dos seus novos projetos para crianças que não sabem nem quem é ele.
Tarde.
Vou ao banheiro, olho no espelho. 
- Senhor me ajude a encontrar o caminho e poder passar um pouco, falar da conspiração da mídia, colocar na cabeça dessas crianças para não seguir o caminho da massificação, lutar contra o consumismo, mostrar a verdade do Ser em vez do Ter. Trazer o amor a família, o valor da periferia, a nossa auto estima, a importância cultural que temos, o valor da nossa cor e da nossa história, me ajude senhor, a trazer consciência, senso crítico, auto valorização, e mostrar o plano maquiavélico que sempre beneficiou a elite e nos massacra financeiramente e culturalmente nesses anos.
- Que eu traga em minhas palavras o inconformismo, que eu transmite o ódio de todos os dias iguais, sem uma vida justa para todos, que eu provoque não a revolução pessoal, mas a mudança da sociedade, não o ganho material mas o valor social de uma vida digna para todos.
- Que eu represente senhor, com responsabilidade, os que nunca escreveram, nunca rimaram, nunca sequer tiraram os textos da gaveta, para que esse ofício, a labuta com a caneta seja uma centelha de esperança e não de comodismo.
- Me ajude senhor, a pregar contra as marcas que me povo usa, mas que usam mão de obra escrava igual ao meu próprio povo, contra o álcool que contamina nossas crianças, contra a sua evolução as drogas, os alienadores de realidade que é tão dura, mas é nossa verve para ter sucesso pela dor senhor, me ensine a falar com sábias palavras contra a elite que não mostra o nosso real valor, que nos humilha, nos envergonha pelo nariz, pela boca e ri do nosso cabelo, me mestre como nessa uma hora, deixar uma marca nessas vidas, para que eu também tenha um sentido na minha própria vida, sendo verdadeiro e honesto, afinal o gueto reconhece isso logo de cara.
  • Me ajude senhor, para representar todos os amigos que morreram travando a guerra, aos que não puderam ver mais o sol de cada dia, e aos que nunca souberam o valor de uma vida, que eu fale em nome dessa verdade hoje.
  • Da paciência de Mandela, da fúria de Malcon, da verdade de Luther King, das ruas de Lima Barreto, dos versos de Sabotage.
O espelho não responde, mas eu encaro ele ainda por alguns segundos, para ter certeza e vou.