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Gravando meu primeiro Audiobook

Meu Parça Dum-Dum (Facção Central) gravando sua participação no meu primeiro Audiobook, vai segurando Facção Central lendo Capão Pecado.

Encontro L.M na Fábrica de Cultura do Jd. São Luiz

Salve, mais um Encontro da Literatura Marginal, dia 12 de julho na Fábrica de Cultura do Jd. São Luiz, com Lourenço Mutarelli e Elizandra Souza. a partir das 16.30, não perca. Mais informações no face da Literatura Marginal.


Feira do Rolo (Ferréz)


Feira do Rolo.

Ao longe agente já pode ver um monte de barracas, quase todas com uma lona amarela cobrindo para eventuais chuvas, ou mais provável, para proteger do sol o que elas deixam a mostra.
Pela estrada de Itapecerica é mais fácil, mas ela não tem só um endereço, na verdade tem dezenas, e talvez até centenas.
O terreno da ultima vez que foi usado foi por um circo, não o circo que recebe mais de nove milhões da lei rounet, não esse que te falo é nacional, com trabalhadores oriundos de várias quebradas, Pernambuco, Bahia, Minas, só brasileiros cansados da seca, do desemprego, mas que no fim do dia põe o sorriso em outros rostos.
O circo passou, o parquinho de diversões também, mas o terreno ficou, vazio, empoeirado, poeira essa que se levanta quando as primeiras barracas começam a ser montadas lá pelas sete horas da manhã.
São três corredores, metade da feira espõe no chão mesmo.
Pra estacionar o carro é uma calamidade, afinal na feira do rolo, todo mundo quer vender ou trocar algo, e não é difícil você ver homens testando motores, quase encostando o ouvido no bloco de ferro para ver se está falhando.
Muitos deixam os carros abertos, ai um entra, fuça, senta, mexe no porta mala, vai ver que se apaixona?
Esse é um Puma moço, ta zerado, pintura ok, ta novinho.
Então porque ta passando ele?
To com problema com a muié, sabe né, to desempregado.
Mas é bom você não ir para grupo, todo mês ele tem um carro ou dois para vender, então esse problema com a mulher é eterno.
Levo algumas fitas VHS, os filmes bons eu guardei, ação, aventura, mas os pornôs não dá para ficar, depois que fechei a locadora, não há mais espaço para nada em casa. Andando com os filmes, nem precisei oferecer. 
Quer fazer rolo nessas fita? Me abordou um homem que um dia foi branco, mas hoje o sol mudou isso, sem camisa, calça jeans até o tornozelo e com um amigo do lado, também moreno, só que com camiseta regata branca.
O que você tem ai? eu arrisco.
Tem isso aqui! E o sem camisa puxa da sacola um vídeo game Super Nintendo, sem controle, sem cabo, eu olho rapidamente e pergunto quantas fitas ele quer. Antes de responder o amigo dele se intromete e fala que tem um dvd de karatê pra rolo e pergunta quantas fitas dou nele.
O sem camisa encara ele, afinal ele ta atravessando o rolo, eu falo que dou quatro fitas, ele aceita, pega o dvd e me dá, Dragão Negro, já sei na hora porque ele não quer, é legendado, e isso é um grande defeito por aqui.
O amigo pega as outras fitas na minha sacola e começa a olhar, então pede. Deixa todas?
Eu penso, tem 7, olho o Super Nintendo e sei que é mais fácil de trocar do que fita, topo e saiu em seguida.
A Elaine ta comigo, não tira os olhos da barraca, tanta coisa, telefone antigo, aparelho de som, celular, mas o que predomina é peça de carro.
Agente anda com dificuldade, de cada seis pessoas que agente vê, uma tem um vídeo cassete embaixo do braço, e outra ta levando uma bicicleta.
Um homem me para e pergunta apontando para minha corrente.
Gosta de corrente? 
Gosto sim, respondo.
Ele abre a camisa e fala. Vê essa? Dá cinco nela?
Eu digo que não, uma ta bom, dou boa tarde e saio, o outro ta olhando pra minha sacola, pergunta o que é, respondo que é um Super Nintendo, ele sai.
Ali é assim, tudo muito rápido, interessou tem idéia, não interessou tchau.
Vou andando e paro numa barraca de games, olho um Master Systen, lembro que minha mãe me deu um, porra trabalhei dois anos na padaria e não consegui juntar o dinheiro, e agora ele num vale nada.
Na época minha mãe me deu um, na hora que vi meu coração balançou, e agora de novo, chamo o caro no rolo, ele pega o Super Nintendo e fala.
Sei não, olha aqui, esse ta queimado...pegou aonde?
Ali, no cara, ele tava andando.
Hi! Então ta ruim memo, ta todo zuado, olha o parafuso, ta espanado, e isso aqui em volta é cola, o cara abriu e quebrou tudo, mas eu pego no escuro.
Eu fico pensando, os caras são gênios, acabei de pegar o negócio e não reparei nada, ele já pegou e agora o aparelho vale muito menos, depois de cinco minutos estou com o Máster Systen na mão, com o meu Super Nintendo e com quinze reais a menos no bolso, agora já começo a andar atrás de um controle, depois de dez minutos acho um, cinco reais.
Então eu e a Elaine decidimos ir, enquanto ando, passo por uma barraca de VHS e vejo uma fita de um dos episódios do arquivo X, já sei que vou voltar na outra semana pra comprar, mas nem precisei desse motivo, o vídeo game não funcionou.
Então é outro domingo, lá vamos nós de novo, levo o vídeo game e apresento ao senhor.
O que? Não funcionou? Num tem problema, pega outro ai, e dessa vez vamos testar.
Então pego outro aparelho e o ajudante dele me leva na Perua Combi que faz os testes, chego lá um monte de gente com vários aparelhos nas mãos fazem fila para o testador, um pernambucano de 29 anos, camisa social, todo molhado de suor, nos olha com calma e pergunta o que é.
O Alemão mandou testar esse vídeo game aqui! 
O testador  pega o Máster, coloca na tomada, agente liga e acende a luz.
Ta testado. ele diz.
O ajudante do Alemão com ar de experiência diz. 
Luz acesa num indica nada, liga o jogo, o pernambucano meio contrariado liga o resto do aparelho e o jogo aparece na tv.
Agora sim.
Mas antes de entrega, ele tira um pincel, pega o aparelho e dá uma limpada, depois diz.
Ta vendo? Tem gente que acha caro, dois reais pra testar e eu ainda limpo o aparelho.
Chegamos na barraca do Alemão de novo, antes o ajudante dele me dizer que só faz esse bico para não ficar em casa.
Minha mulher é foda, enche meu saco, ta grávida então se vê né, prefiro ficar aqui, ajudo o Alemão, mas meu ramo é segurança.
Eu ouço atentamente, aprendi com os repórteres da Caros a ouvir.
A poeira levanta, o calor ta de matar, o número de pessoas aumenta, eu pego o vídeo game e saiu, estou quase saindo da feira quando vejo a barraca de VHS, pergunto o preço da fita do Arquivo X. Pago os dois Reais, mas vejo vários outros filmes, compro mais dois, e um deles é o Bullet, clássico estrelado por 2 Pac.
Empolgação, fazia tempo que estava atrás desse filme, mas esqueci que na feira do rolo você nunca pode se empolgar, então horas depois quando ponho o filme no meu vídeo e sento na sala esfregando as mãos, vejo que começa a passar, em vez de Bullet, o filme era pornô.
Semana que vem vou lá de novo ver se acho um rolo pro filme.

Encontro Literatura Marginal

Zona Norte ontem pegou fogo, a casa lotou para o Encontro Literatura marginal e Circuito Coopermusp: muitas surpresas, Dj Raffa, Atitude Feminina, Crônica Mendes, Renan Inquérito, Rodrigo Ciríaco, 1 Mano MC, Wesley Barbosa, Marcos Teles, Davi Aplick, Baggaroots, Vrass 77, Mônica (Mesqueteiros) e muita gente mesmo. Valeu a Literatura da quebrada agradece o Respeito.
Todo primeiro sábado de cada mês estaremos na Fábrica de Cultura do Capão, e no último sábado de cada mês estaremos vagando pelas outras quebradas.   A procura sempre de novos leitores.










A guerra para a eleição começou.


Atualizado em 13.06.2014, 03h00

Vergonha!

Sabe de onde iniciaram as vaias e xingamentos contra a presidenta Dilma Rousseff (PT) no jogo Brasil e Croácia na abertura da Copa do Mundo na Arena Corinthians?

Da área VIP do estádio (conforme G1 e Folha), composta basicamente por quem pagou R$ 990,00 nos ingressos e por “celebridades”, principalmente artistas da Rede Globo de Televisão e demais redes de TV.

A maioria desses artistas entraram de graça no estádio, com ingressos cortesias, ou pagaram quase mil reais em cada entrada.

É esse tipo de gente que desrespeita uma senhora ao lado de sua filha, e que não aceita a redução das desigualdades sociais no Brasil nos últimos 10 anos.

A ESPN disse que o público que xingou Dilma é um público diferente, que paga ingresso caro ou é convidado, e que foi uma grosseria, uma má-educação, lamentável, deplorável e deprimente. O respeitado jornalista Juca Kfouri disse que a torcida foi mal-educada, que é a torcida da “elite branca” e algo não cidadão e não democrático, e que essa torcida nunca vaiou o Paulo Maluf. Juca informou que conversou com os voluntários e funcionários do estádio e que 95% deles não gostaram dos xingamentos à presidenta informou que os trabalhadores presentes na Arena Corinthians disseram que não gostaram das ofensas contra Dilma vindas dos endinheirados.

Textos sobre a copa


Salve, devido a minha revolta com essa copa, no face estou publicando alguns textos curtos e agora segue os primeiros aqui no blog.

Copa do ódio 1

Esqueça o Não haverá COPA!!!
O que vale é ficar na fila do Extra ou do Carrefour, todo mundo com o carrinho preenchido pela TV nova.
Nas Casas Bahia a fila sai pra fora da loja!
Não vai ter copa? vai ter na sua casa em 60 polegadas.
E ai antes sair pra malhar, todo mundo de toalinha, na academia o papo é só um, comprei minha bandeira do Brasil, com o símbolo do Corinthians no meio.
A minha é do Palmeiras.
Eita, que não quero nem saber se caiu a viga do monotrilho, esses assuntos são negativos, eu quero é amarrar o mal, tocar fogo no jogo, ver a seleção ser campeã, que ai ainda ganho minha segunda TV, entrei naquela promoção, né não?
E os carros vão tendo bandeirinhas nos retrovisores, e as ruas vão sendo pintadas, e agente vai engolindo o desespero, vai esquecendo as contas, finge que no posto de saúde tem medicamento, esquece que a consulta tá marcada pro ano que vem, esquece os fuzil, as pistola, o crack, aquele só o crack que vale é o da bola.
Vamos soltar o grito do peito, deixar o coração no jeito, que vem mais uma emoção, bala perdida não existe, mas a felicidade tá no campo, viva a seleção.
E tem clip musical que me estimula, o Carlinhos simbolizando a felicidade servil, aquela você num viu? Disseram que passou por aqui, na viela do desgosto, foi ontem, antes do almoço.
A seleção, canarinho, aquela que tá no ninho, que trabalha, trabalha mas não vai salvar o próprio filho, aquele que não foge a luta, mas admira e respeita o turista, que faz a vista, aquela grossa, poxa deixa o pessoal gozar, nem que seja nas coxas.

Ferréz

Copa do ódio 2.

Brasileiro serviu, pode ficar tranquilo que tudo tá sob controle.
O MST fez o acordo com o governo, num vai ter passeata, manifestação, nem problema nenhum, e 2.000 moradias são um bom preço.
Serviu, o turista vai chegar no aeroporto, e tudo já está escrito em inglês.
A nossa pátria armada, pra defender o outro, contra nós mesmos.
Movimentando os estados, circulando por todos os lados, torcendo, rezando com padre Marcelo Taurus e com a Rossi para nada dar errado em nome de Deus.
Serviu, injetando no povo, tentando empolgar pra ver se vai virar, pra vender a camisa  da bandeira que tava encalhada.
Os olhos e os corações do mundo voltados para o Brasil, três bilhões de pessoas vão se deixar enganar, entretenimento conforta.
Agora a copa é contra o racismo, isso mesmo, vamos torcer, retribuir a generosidade com a qual sempre fomos tratados no nosso exemplo de conduta diária, vamos pegar o preconceito do cotidiano e jogar no rabo da consciência, onde somente a nossa família importa, vamos fingir que somos um país e não um aglomerado de pessoas, só olhando pro próprio umbigo, correndo pro próprio sustento.
A celebração vai valer o esforço, o suor no rosto, a fila pro ônibus, o insulto do policial, a falta de leito no hospital, a humilhação por uma vaga na creche.
O parcelamento do carro, e o olhar com nojo para o livro.
Na hora do primeiro gol vou lembrar dos meus amigos que não vão poder mais gritar, que foram assassinados e nem só com tiro, mas com falta de perspectiva de ter futuro perante o aglomerado de casa, córrego, crack, e todo kit miséria. 
Mas os benefícios vão ficar com agente, tanto estádio bacana, tanta grama, e olha que bacana, na propaganda a bandeira americana balança.
Sem derrotismo, o jogo começa agora e os pessimistas disseram que não teríamos copa, chupa essa bola, engole essa bandeira, pega no mastro, se regozija a elite e os políticos que já comemoram o nosso ostracismo. 
Mas....ainda não acabou, dá tempo de pregar o caos, tumultuar um pouco e fazer todos entenderem que quem manda no final das contas é que o bagulho tá é doido.
Ferréz